Precisamos defender as mulheres!
Análise da interação argumentativa na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Federal
Resumo
Este estudo analisa a interação argumentativa ocorrida na sessão da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, focalizando a controvérsia sobre quem é reconhecida como “mulher” na disputa em torno de mulheres transsexuais terem os mesmos direitos e ocuparem os mesmos espaços que mulheres cisgênero. Consideramos aportes da perspectiva interacional da argumentação (Plantin, 2008; Grácio, 2010, 2011; Damasceno-Morais, 2023) e do modelo de Padilla, Douglas e López (2011), que propõe análise em três níveis: pragmático, global e local. Metodologicamente, situamos o contexto da controvérsia, atores e valores compartilhados, identificamos elementos linguístico-enunciativos e esquemas argumentativos mobilizados. As categorias de análise revelaram questões argumentativas de ordem epistêmica - definição de “mulher” - e prática - implementação de direitos inclusivos. Os resultados mostram que a argumentação parlamentar constrói identidades coletivas e individuais, legitima valores sociais e evidencia tensões históricas e políticas na disputa pelo conceito de “mulher” no Brasil.
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