CHAMADA | Autorias Indígenas: saberes em vozes, escritas, imagens [v. 19 n. 35 _ 2019.2]

2019-02-23

Autorias Indígenas: saberes em vozes, escritas, imagens [v. 19 n. 35 _ 2019.2]

 

O que as materialidades das literaturas de autoria indígena na América Latina têm nos permitido ouvir, ver, dizer sobre os modos de encontros, as trocas, as experiências político-estéticas efetivadas nos últimos trinta anos e que nos constituem como uma comunidade viva de leitores de livros da terra, das águas, do ar e da floresta? Quais trajetórias de estudos e experiências literárias e editoriais têm sido desenvolvidas com os povos indígenas no Brasil contemporâneo? Textos estéticos ameríndios de modo diverso manifestam-se como literatura, vídeos, cantos, filmes, artes visuais, musicais e plásticas, arte têxtil e teatro, portadores de saberes ancestrais e concretizados por autores coletivos e individuais. Antes da ciência moderna e depois encontramos os saberes dos povos originários das Américas e dos povos tradicionais como os quilombolas, ciganos, ribeirinhos e pescadores do mar. Conhecimentos insuflados pela oralidade dos grupos através e ao redor dos tempos, das gerações e das vidas ingressaram na cultura do impresso, e, agora, surgem inscritos em textos verbivocovisuais pelos indígenas, afrodescendentes, afro-indígenas e outras comunidades de tradição predominantemente oral, e que tratam sem hierarquias as dimensões do som, da visualidade e do sentido das palavras. Perfilam-se, assim, determinadas artes políticas – restauradoras do mito, da memória histórica, ancestral e da identidade dos povos – que se dirigem a leitores dos mesmos povos e também àqueles, a princípio, marcadamente formados pela cultura do branco e pela ciência ocidental, etno e antropocêntrica. A temática proposta neste número da Revista Especiaria convida, primeiramente, a desconstruir e repensar tal denominação, tão colada historicamente aos interesses mercantis que subjugaram tantos povos, para que, então, seja possível o acontecimento da intensa experiência do leitor, no sentido vivo e forte do termo. Experiência que percebe, prova e sente contrastes e continuidades: entre natureza e cultura, mito e literatura, narrativa oral, escrita e visual, autoria coletiva e individual, universidade e comunidade, cientistas e mestres de saberes, literatura latino-americana e crítica literária, seres humanos e não humanos, entre outras possíveis relações geradoras de aprendizados, inauguradoras de outro estado de coisas e de vida. Diferentes estilos, autores e temas evocam a ancestralidade de modo criativo nas obras como ferramenta de diálogo com a sociedade envolvente. Em caráter coletivo, fruto de projetos didático-pedagógicos da educação escolar indígena, ou em caráter individual, os autores enunciam diferentes mensagens, espaços, tempos, humanidades e poéticas. Ressaltamos: diante da pluralidade de atores envolvidos no que se tem chamado de modo mais assertivo de literatura indígena brasileira, convidamos professores e pesquisadores, escritores e artistas na área para colaborarem com manuscritos que reflitam esse processo de edição e publicação realizado desde os sujeitos indígenas. Os temas que interessam nesta chamada são: autoria indígena, edição indígena, publicação dos livros indígenas em caráter coletivo ou individual, prosa indígena, poesia indígena, cantos e poemúsicas indígenas, roteiros de audiovisuais indígenas, ilustrações indígenas, tipografias indígenas, métodos de leitura nativos, oralidades e escritas múltiplas que deem a ver produções autorais indígenas/ameríndias.

 

Organizadoras do dossiê [v. 19 n. 35 _ 2019.2]

Profa. Dra. Cynthia de Cássia Santos Barra (UFSB)

Profa. Dra. Heloísa Helena Siqueira Correia (UNIR)

Doutoranda Julie Dorrico (PUC/RS)

 

 

Até o dia 29 de NOVEMBRO de 2019.

As Diretrizes para Autores podem ser acessadas aqui.