Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria <div align="justify">A&nbsp;Revista Especiaria - Cadernos de Ciências Humanas [ISSN Eletrônico: 2675-5432; ISSN Impresso: 1517-5081] existe desde 1998, recebe artigos, resenhas e traduções de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, em português, inglês, francês, <span style="font-weight: 400;">italiano</span><span style="font-weight: 400;"> ou espanhol, da grande área de ciências humanas, apresentando-se assim como uma revista interdisciplinar. As submissões seguem fluxo contínuo, através de demanda livre e convite editorial, incluindo propostas de dossiês temáticos,&nbsp; artigos, resenhas, entrevistas e traduções que difundam o conhecimento científico.</span></div> <div align="justify">&nbsp;A Revista Especiaria adota o sistema de avaliação por pares duplo-cego para a revisão de artigos submetidos. Esse processo garante a confidencialidade mútua entre autores e revisores, assegurando a imparcialidade e a qualidade científica das publicações.</div> pt-BR <p>Este artigo está licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Os autores retêm os direitos autorais e concedem à revista o direito exclusivo de primeira publicação. Esta licença permite o uso, compartilhamento, adaptação e reprodução do conteúdo, desde que seja atribuída a autoria original e a fonte.</p> especiaria@uesc.br (Ademar Bogo) especiaria@uesc.br (Ademar Bogo) ter, 13 jan 2026 00:00:00 -0300 OJS 3.1.1.4 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 A loucura aprisionada nas instituições ou na doença https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4862 <p>O título deste ensaio justifica-se pela ideia de que as organizações são, em essência, manifestações psíquicas - isto é, são sustentadas por processos tanto conscientes quanto inconscientes que se constituem e se perpetuam. Esses processos geram imagens, ideias, pensamentos e comportamentos que, por sua vez, podem aprisionar as pessoas. A lógica do sistema está pensada nesse sentido. Embora as organizações sejam construções sociais, elas frequentemente adquirem uma autonomia simbólica e um poder próprio, capazes de influenciar - e até de controlar - os sujeitos que lhes deram origem. Este trabalho, fundamentado numa revisão crítica da literatura, pretende contribuir, de forma positiva, para o desenvolvimento do tema.</p> Jorge Paulo Rocha Ferreira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4862 ter, 20 jan 2026 17:54:58 -0300 Saúde e doença na cosmologia indígena Tupinambá https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4369 <p>Os povos Tupinambá, originários do litoral brasileiro, têm uma longa trajetória marcada pela resistência cultural e territorial frente aos processos coloniais e contemporâneos. A cosmologia do povo Tupinambá da Serra do Padeiro, situada no sul da Bahia, sustenta uma concepção holística de saúde, que integra dimensões físicas, espirituais, socioculturais e ambientais. Por meio de uma abordagem etnográfica, com utilização de entrevistas abertas e análise de narrativas, identificou-se que a saúde é compreendida como equilíbrio dinâmico entre corpo, mente, espírito, coletividade e natureza, enquanto a doença representa a ruptura dessa harmonia integradora. O cuidado tradicional envolve práticas como rezas, banhos com ervas, defumações e uso de plantas medicinais, articuladas pela atuação dos pajés e das anciãs, e orientadas por saberes ancestrais, transmitidos oralmente ao longo das gerações. Observa-se ainda uma relação complementar entre os conhecimentos tradicionais e a medicina alopática, especialmente em contextos em que há reconhecimento intercultural e respeito às epistemologias indígenas. A pesquisa evidencia que a saúde para os Tupinambá está intrinsecamente ligada ao vínculo com o território, à resistência política e à preservação cultural. Os resultados reforçam a importância da valorização dos saberes indígenas tradicionais e da incorporação dessas epistemologias nas políticas públicas para a saúde indígena, visando a construção de práticas de cuidado mais integrativas, culturalmente contextualizadas e sensíveis, que promovam a equidade e a autonomia dos povos indígenas.</p> Heloísa Kiminay Oliveira Santos, Raquel Bispo Moreira, Larissa dos Santos Corrêa, Pricila Natasha Santos de Jesus, Katharina Gabrielli Reis Cardoso Lopes, Marcos Augusto de Castro Peres ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4369 ter, 01 set 2026 00:00:00 -0300 Uma psicoética para além do marco deontológico: comportamentos da psicologia na contemporaneidade https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4885 <p>Esta resenha apresenta <em>Ética en la práctica de la psicología</em> (Herder Editorial, 2023), de Martín, Aparicio e Jarne, obra que busca superar o quadro deontológico normativo da área. O manual diferencia deveres (deontologia) de uma ética profissional abrangente, interligando-as. A parte I discute os fundamentos, trata da bioética e compara códigos de conduta do psicólogo, como o estadunidense. A parte II cobre âmbitos aplicados: clínica, pesquisa, forense, educação, social, organizações, esporte, emergências e tecnologias emergentes. A resenha aponta o valor do método deliberativo, notando sua relevância para o contexto brasileiro, cotejando suas reflexões com o disposto no código de ética profissional do psicólogo no Brasil (CFP, 2005).</p> Fábio Luiz Nunes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4885 ter, 13 jan 2026 12:24:55 -0300 Rotimi Fani-Kayode: o fotógrafo do Atlântico yorubano https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4896 <p>As fotografias, para além do caráter poético e subjetivo, exercem uma função histórica e política que torna visíveis trânsitos, mudanças e transformações. Nesse sentido, o presente artigo propõe uma análise semiótica apurada de duas fotografias do artista yorubano Rotimi Fani-Kayode, a fim de discorrer sobre a presença reificada da yorubanidade no Atlântico e a forma como essa dimensão é convocada como recurso estético em suas imagens. Para tanto, são analisadas também duas fotografias do multiartista afrobaiano Ayrson Heráclito, de modo a evidenciar o diálogo entre as duas margens atlânticas, Nigéria e Bahia.</p> Jonathan Machado da Fonseca ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4896 sex, 12 jun 2026 00:00:00 -0300 Projeto Interlocuções: uma história prática da implicação da diáspora africana no sul da Bahia https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4903 <p>A educação é um campo fundamental para o exer­cício da crítica social, buscando por transformações na sociedade e, partindo dessa premissa, este artigo apre­senta uma descrição, seguida de uma análise, da atuação do projeto de extensão universitária da UESC chamado Interlocuções, que desenvolve atividades científicas e cul­turais com algumas comunidades escolares e movimen­tos sociais no sul da Bahia. Provocar reflexões sobre o racismo e as diversas formas de discriminação, estimular ações para buscar a eliminação da opressão sobre sujeitos que trazem em seus corpos e modos de vida os marcado­res que costumam justificar sua exploração e discrimina­ção são objetivos do Projeto Interlocuções e puderam ser avaliados neste artigo, que buscou relatar algumas ativi­dades, metodologias desenvolvidas e ações durante um período de 15 anos, observando mais detalhadamente a cidade de Itacaré-BA Para a pesquisa, utilizaram-se algu­mas ideias basilares, como a da necessidade de o mundo atlântico contemporâneo precisar ser estudado a partir da diáspora africana, preconizada por Paul Gilroy (2001); que a educação deve ser democrática para o alcance da liberdade e autonomia, conforme defendia Paulo Freire (1996); e que o combate ao racismo deve ser uma posição política adotada no campo da educação, como defende Nilma Lino Gomes (2006). A partir disso, faz-se uma aná­lise da história de sucesso de um projeto de extensão uni­versitária que propõe intervenções nas comunidades com as quais trabalha, colaborando para a formação de jovens cidadãos mais conscientes e na de multiplicadores das proposições e metodologias adotadas.</p> Aline Areia Almeida Mimoso, Laila Brichta ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4903 sex, 12 jun 2026 00:00:00 -0300 Entre calundus e autos de fé: a resistência afrodiaspórica de Luzia Pinta frente à Inquisição na América Portuguesa Setecentista https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4923 <p>O artigo analisa o processo inquisitorial de Luzia Pin­ta, mulher negra, forra e calunduzeira acusada de feitiçaria em Minas Gerais. Com base na micro-história e na leitura dos autos, busca reconstruir sua trajetória e compreender formas afrodiaspóricas de resistência diante do Tribunal do Santo Ofício. Luzia alcançou prestígio social por meio de práticas de cura e adivinhação de matriz banto, mas foi denunciada, encarcerada, torturada, condenada e de­gredada por admitir e descrever seus calundus, recusan­do-se a confessar pacto demoníaco. Sua defesa, ancora­da em fé cristã imbricada à ancestralidade africana, revela estratégias discursivas que tensionam o modelo inquisi­torial e a colocam como protagonista de sua história. Ao tratar os autos não só como instrumentos de repressão, mas como espaços de agência, o estudo propõe leitura afrodiaspórica que valoriza vozes silenciadas, como a de Luzia, cujos “ventos de adivinhação” atravessam o Atlân­tico como testemunho de resistência negra.</p> Juliana Maria de Almeida Carvalho, Adson Rodrigo Adson Pinheiro ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4923 sex, 12 jun 2026 20:19:10 -0300 A onda caribenha que leva e que traz: identidade migrante e a produção literária diaspórica haitiana contemporânea https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4897 <p>Este artigo reflete sobre como a migração é parte constituinte da identidade caribenha e como a caracterís­tica diaspórica pode ser observada na cultura e na produ­ção literária antilhana. Na análise, busco essas caracterís­ticas nas produções contemporâneas haitianas e observo como elas vêm ocorrendo no Brasil, considerando a cres­cente presença haitiana no país. Para essas ponderações, dialogo principalmente com intelectuais caribenhos, com os conceitos de crioulização de Glissant, meta-arquipélago, de Rojo, e radicante, de Bourriaud, e com escritores literários haitianos contemporâneos em diáspora. Os resultados da investigação demonstram que o Caribe, além de levar sua cultura para outros lugares por meio da diáspora, produz no trânsito a reflexão sobre si. Na literatura, a característica diaspórica não pode ser desvinculada das produções cari­benhas, de modo que as experiências de encontros culturais e geográficos são componentes centrais nessas produções.</p> Taíse Staudt ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4897 sex, 12 jun 2026 20:25:54 -0300 Povos indígenas e imaginário social: experiências no ensino de história a partir do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4891 <p>Este artigo apresenta uma análise, a partir da obser­vação de aulas de história realizadas no Programa Institu­cional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba) – campus Ilhéus, sobre a construção e desconstrução do ima­ginário social acerca dos povos indígenas. As aulas observa­das abordaram a diversidade cultural, linguística e histórica dos povos indígenas antes da colonização, avançando até o confronto com imagens contemporâneas que evidenciam a pluralidade indígena atual. Verificou-se que estudantes, ao se depararem com tais imagens, manifestaram dificuldades de reconhecer a presença indígena, por não corresponder às representações estereotipadas internalizadas. A media­ção docente promoveu a reflexão sobre identidade, agência e permanência desses povos, culminando em uma autoava­liação da unidade em que os alunos reconheceram lacunas formativas e a relevância da abordagem crítica para a cons­trução de uma percepção histórica mais diversificada.</p> Alex Conceição Costa, Thamiles Lessa dos Santos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4891 sex, 12 jun 2026 20:35:46 -0300 Brasil, Caribe e Estados Unidos em Diálogo: os circuitos intelectuais-ativistas de Lélia Gonzalez no Atlântico https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4926 <p><span style="font-weight: 400;">O pensamento de Lélia Gonzalez (1935-1994) se constituiu por meio de deslocamentos que possibilitaram interlocuções diretas com tradições intelectuais e políticas de diferentes regiões, especialmente da África, do Caribe, da América Latina e dos Estados Unidos. Neste artigo, parte-se da hipótese de que essas conexões no mundo Atlântico contribuíram para a ampliação dos horizontes de sua reflexão crítica. Nesse contexto, este artigo tem como objetivos: 1) realizar o levantamento e a análise dos diálogos intelectuais explicitados nas referências presentes em seus textos, que influenciaram a construção de seu pensamento, especialmente quando sua produção adquire um caráter internacional; e 2) contextualizar as redes internacionais de diálogo com intelectuais africanos, caribenhos, latino-americanos, caribenhos e estadunidenses, destacando como e sobre o quê tais referências influenciaram na formulação de sua teoria e militância. Considera-se que a análise da circulação das ideias em sua obra revela a importância de reconhecer Lélia Gonzalez como uma intelectual em movimento, cujas influências ultrapassaram as fronteiras nacionais, refletindo a dinâmica das redes internacionais que articularam a confluência entre sua trajetória acadêmica e militante. Para alcançar os objetivos propostos, a metodologia adotada centra-se em uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, buscando não apenas identificar as figuras intelectuais e ativistas, especialmente no campo da questão racial, com as quais Gonzalez estabeleceu diálogo, mas também compreender o contexto e os sentidos atribuídos a essas referências em sua trajetória intelectual e de militância.</span></p> Mireile Silva Martins ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4926 qui, 27 ago 2026 00:00:00 -0300 Nas tramas uterinas de Um defeito de cor (2006) https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4892 <p>Neste artigo, considerando a leitura e a análise da obra <em>Um defeito de cor</em>, de autoria da escritora afro brasileira Ana Maria Gonçalves, aponto o gênero romance como um terreno fértil, fecundo de existências e/ou imaginários possíveis para o fazer literário de escritoras negras, ou melhor, uma “forma uterina”, como dirá Fernanda Miranda. No texto narrativo, pretendo ressaltar como negras velhas, com seu modo singular de contar, (re)fundam o universo, atribuem vida aos seres por meio de uma performance enunciativa que, na tradição oral africana, conjuga palavra, gestos, sons e ritmo (como demonstram Honorat Aguessy, Leda Martins e Muniz Sodré), e, na diáspora negra, se atualiza na ritualística e na textualidade literária cotidiana das “comunidades-terreiro” (como pontua Henrique Freitas), e de comunidades <em>santeras</em> (sugerido por Ileana Sanz e Rogelio Martínez Furé). A performance narrativa dessas sujeitas negras é ‘grafada’ pelo corpo, segundo Leda Martins, e nos enreda pelo encanto, segundo Eduardo Oliveira. (Re)Cria, “por ‘feitiço’, o mundo”, de acordo com Muniz Sodré.</p> Josenildes da Conceição Freitas ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4892 qui, 27 ago 2026 09:52:34 -0300 Oceano Kalunga: renomear o Atlântico nas águas do sul-sul https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4928 <p>Este texto propõe uma reinterpretação do Atlântico a partir da palavra Kalunga. Mais especificamente, movimenta o conceito de Oceano Kalunga para pensar a geopoesia nas cosmologias, experiências e vivências Sul-Sul que se espraiam entre Angola e Brasil. Contra a visão eurocentrada de “Atlântico civilizatório”, evidenciam-se violências coloniais: etnocídios nas diásporas dentro da grande diáspora que estrutura um mundo afro-brasileiro. Nesse contexto, a noção de kalunga, chave metodológica, ontológica e raizamática significa oceano, mar, morte, travessia. Nomeia, também, a maior comunidade remanescente de quilombo do Brasil – os Kalunga. Situada no Cerrado (longe das águas coloniais), situa-se na divisa entre Goiás e Tocantins (corredor da geopoesia). Em diálogos com Paxe e Machado, Gilroy e Mbembe, Leda Martins e Carlos Brandão, vocalidade e territorialidade constituem <em>rexistência</em> e elaboração simbólica. Na geopoesia, a raizama renomeia. Esse ato permite que terra, quilombo, luta e corpo coletivo possam falar. Renomear o mar, que tem gosto de sal e de sangue, invoca ancestralidade, liberdade e criatividade nos saberes afrodiaspóricos de Brasis liminares.</p> Augusto Rodrigues da Silva Junior ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4928 qui, 27 ago 2026 09:54:54 -0300 Ecos no Atlântico Negro: a travessia banto e o apagamento na história da Umbanda https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4902 <p>Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre os silenciamentos e apagamentos presentes na história da Umbanda, com foco em sua ancestralidade de matriz banto, frequentemente negligenciada pelas narrativas hegemônicas. A partir do mito fundador de 1908, protagonizado por Zélio Fernandino de Moraes, analisam-se os mecanismos de embranquecimento simbólico que estruturam a oficialização da religião. O objetivo é tensionar essa narrativa institucionalizada, resgatando contribuições afrodescendentes e práticas anteriores à institucionalização da Umbanda, como os rituais de Calundu. O referencial teórico articula os estudos de Bento (2022), Gonzalez (2020) e Sovik (2009) no campo da branquitude, com contribuições de autores que abordam as religiosidades afro-brasileiras: Silveira (2010), Dias (2024) e Luiz, Nunes e Antero (2025), e estudiosos das práticas religiosas dos bantos no Brasil, como Lopes (2023) e Alexandre (2023). A metodologia adotada é qualitativa, de caráter analítico e interpretativo. Como principal contribuição, o artigo busca ampliar a compreensão das dinâmicas raciais na história da Umbanda, reafirmando a importância de reconhecer e valorizar os saberes ancestrais invisibilizados pelas estruturas de poder racializadas.</p> Bruna Teixeira Santos, Deivison Moacir Cezar de Campos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4902 sex, 28 ago 2026 17:36:50 -0300 Ocupações pregressas e morfologia territorial da Vila Atlântica de São Jorge dos Ilhéus (Bahia, Brasil): do período pré-colonial ao século XVII https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4925 <p>Por meio de prospecções arqueológicas e informações documentais foi possível localizar mais de três dezenas de sítios arqueológicos do período pré-colonial e do Brasil Colônia e discutir as opções e os elementos culturais, econômicos, ambientais e paisagísticos como fatores que orientaram a implantação dos assentamentos ancestrais e das antigas sesmarias, engenhos, fortificações, caminhos de acesso, portos e aldeamentos indígenas da vila colonial de São Jorge dos Ilhéus. Esses dados, aplicados ao Sistema de Informações Geográficas (SIG), permitiram-nos localizar, identificar e caracterizar diversos tipos de assentamentos erguidos desde tempos ancestrais até a primeira metade do século XVII. Ao estabelecer uma linha de continuidade entre as ocupações territoriais pregressas e os primeiros sítios da ocupação e da conquista colonial na vila sede da capitania de Ilhéus, ponderamos a respeito da simbiose/conflito entre colonizadores e preexistências nativas, revelando paisagens híbridas e apontando as ações dos povos originários como um dos principais fatores explicativos da morfologia que se configurou no processo de formação territorial e urbana da vila atlântica de São Jorge dos Ilhéus, nos seus primeiros 150 anos de implementação.</p> Marcelo Henrique Dias, Ronaldo Lima Gomes, Walter Fagundes Morales ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/4925 sex, 28 ago 2026 17:38:42 -0300 Educação Especial e Inclusiva: da teoria às práticas educativas https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/5016 <p>Discute-se sobre a educação especial e inclusiva para uma compreensão de como a teoria tem auxiliado as práticas educativas. A educação especial deve estar lastreada por práticas educacionais implicadas com as normativas que a regulam, as quais garantem aos alunos portadores de necessidades especiais o direito de frequentarem o ambiente escolar, sem qualquer prejuízo ao seu bom desenvolvimento intelectual e emocional. Esta pesquisa possui caráter exploratório, aportada na metodologia Revisão de Literatura, o que possibilitou o conhecimento geral do tema para compreendê-lo e se traçar algumas orientações elementares para o aperfeiçoamento de práticas educativas no ambiente escolar. Seguiram-se discussão e análise do problema levantado: como a teorização sobre a educação especial e inclusiva tem sido incorporada às práticas educativas, desenvolvidas nas escolas, para o atendimento ao seu público-alvo? Sugeriram-se orientações que poderão beneficiar professores e demais interessados pela temática. Esses passos do processo metodológico possibilitaram o cumprimento dos objetivos específicos apresentados na introdução deste artigo.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Educação especial; Educação inclusiva; Normativas.</p> Rita Cristina Coelho de Almeida Santiago ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/5016 sex, 28 ago 2026 00:00:00 -0300