Ouvir e dançar a timbila: jogos de similitudes e processos de reterritorialização da língua/romance em Ventos do Apocalipse, de Paulina Chiziane
Resumo
Tomando por referência a obra Ventos do Apocalipse de Paulina Chiziane no seu debruçar sobre a história recente da guerra civil em Moçambique, o recorte atual se propõe a refletir sobre a linguagem, escrita e narrativa da escritora moçambicana, em relação com os processos de reterritorialização da língua portuguesa, da tradição literária ocidental e de referenciais das culturas africanas em seu país. Para tanto, são levados em consideração estudos múltiplos e diversificados das principais correntes dos Estudos Culturais, Literários e da Ecocrítica, em cotejo com uma abordagem afrocentrada, bem como à constituição e história do campo literário em Moçambique. Considera-se ainda a incipiência de estudos dessa natureza no campo das literaturas africanas, especialmente, no universo das literaturas de língua portuguesa, fato que nos instiga ainda mais a avançar na pesquisa e dar visibilidade às muitas contribuições que a obra de Chiziane nos apresenta em diversos sentidos e percepções do fazer literário na contemporaneidade.
Downloads
Referências
BARBOSA, Rogério Andrade. Karingana wa Karingana: Histórias que me contaram em Moçambique. Disponível em: https://www.amazon.com.br/Karingana-Karingana-Hist%C3%B3rias-Contaram-Mo%C3%A7ambique/dp/853562998X Acesso em 22/08/2024.
CRAVEIRINHA, José. Obra Poética. Maputo: Direção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002.
CHIZIANE, Paulina. Balada de amor ao vento. São Paulo: Companhia das letras, 2022.
CHIZIANE, Paulina. Entrevista com Paulina Chiziane. Concedida a Douglas Freitas e Marcelo Hailer (Publicado originalmente na Revista Bastião, em março de 2014). Disponível em:https://www.nonada.com.br/2018/02/paulina-chiziane-ainda-nao-tivemos-tempo-para-uma-conversa-um-pouco-mais-aberta-sobre-a-nossa-propria-identidade/ Acesso em 20/08/2024.
CHIZIANE, Paulina. Entrevista com Paulina Chiziane, vendecora do prêmio Camões 2021. Concedida a Maria Nazareth Soares Fonseca e Rogério Faria Tavares. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/arquivos/literAfricas/Entrevistas/Entrevista_Paulina_Chiziane_Nazareth_e_Rogrio.pdf Acesso em 22/08/2024.
CHIZIANE, Paulina. Ngoma Yethu: o curandeiro e o novo testamento. Belo Horizonte: Nandyala, 2018.
CHIZIANE, Paulina. Niketche: uma história de poligamia. São Paulo: Companhia das letras, 2022.
CHIZIANE, Paulina. Ventos do Apocalipse. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Kafka por uma literatura menor. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
FREITAS, Henrique. O Arco e a Arkhé: ensaios sobre literatura e cultura. Salvador: Ogums Toques Negros, 2016.
FALCONI, Jéssica. Ecocrítica e as literaturas africanas de Língua Portuguesa; Disponível em: https://www.comciencia.br/tag/ecocritica/ acesso em 14/09/2023;
FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva (Coletivo Sycorax, trad.). São Paulo: Editora Elefante, 2017.
FOUCAULT, M. Os sete selos da afirmação. In: Isto não é um cachimbo. São. Paulo: Paz e Terra, 2008.
GARNIER, Xavier. Ecopoéticas africanas: Uma experiência decolonial dos lugares.Traduzido por Luciano Brito, 2023. In: “Introduction générale”, “Conclusion” (extratos), Écopoétiques africaines: Une expérience décoloniale des lieux, Paris, Karthala, coleção Lettres du Sud, 2022, p. 8-18, 255-256 e 258-259.
GRUPO BAQUETÁ/PROJETO SESI VIAGEM TEATRAL. Karingana Ua Karingana! Histórias de Áfricas. Sesisp. Artes cênicas. Disponível em: https://www.sesisp.org.br/evento/b67c2844-83e2-4acf-9bb9-f2c1dda7431e/karingana-ua-karingana-historias-de-africas acesso em 22/08/2024.
HONWANA, Luís Bernardo. Nós Matamos o Cão-Tinhoso. São Paulo: Editora Ática, 1980.
MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo-tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.
MENDONÇA, Fátima. Panorâma (muito geral) da ficção narrativa moçambicana contemporânea. In: QUEIROZ, Mirna (Orgs). Travessias imaginárias:literaturas de língua portuguesa em nova perspectiva. São Paulo. Edições SESC São Paulo, 2020. p.57-94.
MORAIS, Sara S. Timbilas como prática social e como patrimônio da humanidade: narrativas em torno de um “bem cultural” chope. (2018) Disponível em https://www.evento.abant.org.br/rba/31RBA/files/1541452427_ARQUIVO_PaperRBA_SaraMorais.pdf acesso em acesso em 17/12/2023.
NOA, Francisco. Perto do fragmento, a totalidade: olhares sobre a literatura e o mundo. São Paulo: Editora Kapulana, 2015.
OLIVEIRA, Eduardo David de. Epistemologia da Ancestralidade – Preâmbulo. In: Entrelugares: Revista de Sociopoética e Abordagens Afins , v. 1, p. 1-10, 2009. Disponível em: http://filosofia-africana.weebly.com/textos-diaspoacutericos.html. Acesso em junho de 2015.
OLIVEIRA, Eduardo. Filosofia da ancestralidade: corpo e mito na filosofia da educação brasileira. Curitiba: Gráfica Popular, 2007.
OLIVEIRA, Eduardo. O regime ancestral: por uma estética da libertação africano- brasileira. Salvador: Segundo Selo, 2023.
ZAMPARONI, Valdemir. A política do assimilacionismo em Moçambique, c. 1890-1930. Vozes (além) da África: Tópicos sobre identidade negra, literatura e história africanas, p. 145-176, 2006.
SOUZA, Joseneida. Dumba Nengue: a (est)ética da guerra em Lina Magaia. 2016. Dissertação (Mestrado em LITERATURA E CULTURA) - Universidade Federal da Bahia.
TIMBANE, Alexandre Antonio. Que português se fala em Moçambique? Uma análise sociolinguística da variedade em uso. Vocábulo: revista de letras e linguagens mediáticas. Ribeirão Preto-SP: Universidade Barão de Mauá, v.7. 2014, p. 1-21. Disponível em https://sig.unilab.edu.br/sigaa/verProducao?idProducao=339659&key=059945035b2dda688761f93c91f83d98 acesso em 17/12/2023.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a-Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista
b-Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c-Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
