https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/issue/feed Litterata: Revista do Centro de Estudos Hélio Simões 2025-11-03T22:32:26-03:00 Equipe editorial litterata@gmail.com Open Journal Systems <div align="justify">A revista&nbsp;<strong>Litterata</strong>&nbsp;é uma publicação do Centro de Estudos Portugueses Hélio Simões, do Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual de Santa Cruz. De viés interdisciplinar e colocando-se como espaço de interlocução entre pesquisadores do Brasil e do exterior, a revista aceita artigos inéditos que abordem questões pertinentes ao campo dos&nbsp;<strong>Estudos Literários</strong>. Além dos volumes monotemáticos, a revista aceita contribuições em fluxo contínuo com temática livre na área dos estudos literários.&nbsp;</div> https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4289 Rompendo silêncios e estereótipos: um olhar em direção à literatura brasileira contemporânea periférica 2025-11-03T22:32:00-03:00 Mercia de Lima Amorim merciaamorim.92@gmail.com <p>Este artigo propõe tecer definições, discussões e problematizações sobre a concepção de literatura periférica, movimento literário contemporâneo que rompe com silêncios e estereótipos, a fim de compreender suas intencionalidades e objetivos, bem como investigar como esse movimento periférico se consolida e se insere na literatura brasileira contemporânea. Tal discussão é de grande relevância porque a literatura possui um valor específico que torna legítimos os estudos literários e o confronto com as diversas obras nos enriquecem existencialmente, ao abrir o campo para as várias possibilidades de entender, interpretar e interagir com mundo e com o sujeito que nele habita. Como percurso metodológico tem-se uma pesquisa de cunho bibliográfico, por ter se baseado em registros disponíveis, decorrente de pesquisas em torno do tema estudado e apoia-se no referencial teórico sustentado por Nascimento (2009), Vaz (2011), Dalcastagné (2012), Reyes (2013), Hollanda (2015), entre outros. Têm-se como resultados parciais indicações de que o fenômeno das produções literárias periféricas está se alastrando pelo Brasil, e é através dessas produções literárias e artísticas produzidas por escritores periféricos que os mesmos não são mais vistos como vítimas passivas diante da violência tanto física quanto simbólica. A periferia produz e consome arte e cultura e a literatura periférica se contrapõe à visão equivocada que os periféricos não leem ou são maus leitores.</p> 2025-11-03T10:35:24-03:00 ##submission.copyrightStatement## https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4275 Entre pólvora e gritos, de Mallarmé aos insurgentes periféricos contemporâneos 2025-11-03T22:32:03-03:00 Paulo Sérgio Silva Da Paz paulosergio90@yahoo.com.br <p>De Charles Baudelaire aos poetas contemporâneos do século XXI, o poema experimenta a cada tempo um processo cada vez mais acentuado de rupturas, seja na forma ou em seu conteúdo. Desde fins do século XIX, a materialidade das palavras ganhou destaque por Mallarmé e, posteriormente, por expoentes da vanguarda europeia, como Apollinaire, Zdanovitch e Marinetti. A entrada na modernidade estética se dar através de rupturas que poeta como Mallarmé (1842-1898) moveu no poema. Uma ruptura da tradição que fratura a forma do poema, rompendo com a tradição da escrita poética quando rasura a estrutura do poema causando uma cisão nos versos. Toda essa ruptura influenciou as gerações futuras, principalmente o concretismo brasileiro e por tabela a geração dos poetas marginais de 1970. Dito isso, esse texto tem como objetivo analisar como o rompimento da forma reorganizou a estrutura poética dos poemas ao longo do tempo, criando uma tensão entre significante e significado (forma e conteúdo) no fazer poético a partir daí outros modos de leitura do poema. Os poetas contemporâneos não se preocupam mais se o poema é um soneto, decassílabo, madrigal, se são versos livres ou brancos, a preocupação agora está na rima, na performance nesses novos aparatos estéticos de construção poética que fazem da poesia contemporânea essa pluralidade de vozes e sentidos.</p> 2025-11-03T10:41:56-03:00 ##submission.copyrightStatement## https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4312 A geografia da memória nos romances contemporâneos brasileiros Por cima do mar (2018), de Deborah Dornellas, e Água de Barrela (2018), de Eliana Alves Cruz 2025-11-03T22:32:08-03:00 Marcella Mesquita Granatiere mgranatiere@hotmail.com <p>Este artigo tem como objetivo analisar a literatura enquanto uma das linhas possíveis para se inscrever as histórias, a ficção enquanto reflexão sobre o passado. A partir dessa perspectiva, as obras <em>Por cima do mar</em> e <em>Água de barrela</em> contam a experiência da diáspora sob a ótica da vida. A memória funciona como a linha de rememoração histórica nos termos de Walter Benjamin, isto é, enquanto um modo de reconstrução do passado no campo da história.</p> 2025-11-03T00:00:00-03:00 ##submission.copyrightStatement## https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4307 Ancestralidade, senioridade e corporeidade: os princípios da cosmopercepção nagô na construção do romance Torto Arado 2025-11-03T22:32:10-03:00 Kelly Ane Evangelista Santos keevanufba@yahoo.com.br <p>Neste texto examino o modo como os princípios éticos (filosóficos) que conformam as cosmopercepções das sociedades africanas e das comunidades negro-brasileiras, em especial aquelas mais diretamente interligadas ao universo afro-religioso, participam da construção do romance <em>Torto Arado</em> de Itamar Vieira Júnior. Desenvolvo a análise partindo da discussão dos conceitos de ancestralidade e de outros valores e princípios a ela relacionados: senioridade, tradição, memória, corporeidade e integração. Em seguida, tento demostrar como esses valores e princípios aparecem na construção do romance. A fundamentação teórica conta com os estudos de Eduardo Oliveira (2021), sobre os significados da ancestralidade e as contribuições de Muniz Sodré (2017), Wanderson Flor do Nascimento (2018), Amadou Hampatê Bâ (2010) dentre outros.</p> <p>&nbsp;</p> 2025-11-03T10:28:02-03:00 ##submission.copyrightStatement## https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4310 Ouvir e dançar a timbila: jogos de similitudes e processos de reterritorialização da língua/romance em Ventos do Apocalipse, de Paulina Chiziane 2025-11-03T22:32:13-03:00 Joseneida Mendes Eloi de Souza josyeloi.ia@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Tomando por referência a obra <em>Ventos do Apocalipse</em> de Paulina Chiziane no seu debruçar sobre a história recente da guerra civil em Moçambique, o recorte atual se propõe a refletir sobre a linguagem, escrita e narrativa da escritora moçambicana, em relação com os processos de reterritorialização da língua portuguesa, da tradição literária ocidental e de referenciais das culturas africanas em seu país. Para tanto, são levados em consideração estudos múltiplos e diversificados das principais correntes dos Estudos Culturais, Literários e da Ecocrítica, em cotejo com uma abordagem afrocentrada, bem como à constituição e história do campo literário em Moçambique. Considera-se ainda a incipiência de estudos dessa natureza no campo das literaturas africanas, especialmente, no universo das literaturas de língua portuguesa, fato que nos instiga ainda mais a avançar na pesquisa e dar visibilidade às muitas contribuições que a obra de Chiziane nos apresenta em diversos sentidos e percepções do fazer literário na contemporaneidade.</span></p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> 2025-11-03T10:18:36-03:00 ##submission.copyrightStatement## https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4290 Catar 2025-11-03T22:32:17-03:00 Rosana Almeida Junqueira raj.junqueira@gmail.com <p>Catar coisas no chão, escolhê-las e transportá-las para outros territórios mais poéticos. Poderíamos descrever assim as experimentações da artista contemporânea Lygia Clark. Fazer as coisas saírem um pouco das suas funções utilitárias, para que possam pousar em espaços sensíveis e poéticos. Contaminar um território com a força de outro, colonizá-lo com a potência que vem da precariedade e da poeira das ruas, afetá-lo até que se produza uma zona de indecidibilidade. Fazer com que o espectador seja afetado por objetos estéticos que migram precariamente para outros lugares. Reinventar um outro modo de vida dentro de zonas/cenas múltiplas. Partilhar o sensível, produzir dentro de novos endereços um levante, um outro corpo, cujo desejo seja rabiscar e ampliar o seu próprio devir. Rearranjar até que se dê conta de que o molde foi expandido e de que outra experiência foi erguida em planos múltiplos de criação.</p> <p>&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> 2025-11-03T10:32:46-03:00 ##submission.copyrightStatement## https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4283 Rap: resistências dentro da resistência 2025-11-03T22:32:20-03:00 Hilário Mariano dos Santos Zeferino hilariozeferino@gmail.com Ana Lígia Leite e Aguiar analigialeite@gmail.com Júlia Morena Silva da Costa juliamorenacosta@gmail.com <p>Essa pesquisa mapeia a historiografia da canção no Brasil, apontando para possíveis lacunas nos estudos de Wisnik (2017), Tatit (2004) e Tinhorão (2008), bem como demonstra lacunas de ordem de gênero e sexualidade na cena do rap, predominantemente masculina e que se constrói de maneira sexista e LGBTQ+fóbica (JESUS, 2019; SANTOS, 2016; LI, 2021; OLIVEIRA, 2020), nos conduzindo a pensar em resistências dentro de uma resistência. Através de pesquisadores do rap, a pesquisa aponta ainda para o que se faz a partir da abertura política, formal e temática do rap pós-2000, com a difusão da internet banda larga e a inclusão digital. Com essas resistências dentro da resistência, apontamos para a renovação das possibilidades de articulação e mobilização política por meio das observações feitas de rappers e grupos de rap feitos por mulheres e pessoas da comunidade LGBTQ+.</p> 2025-11-03T10:39:54-03:00 ##submission.copyrightStatement## https://periodicos.uesc.br/index.php/litterata/article/view/4286 Virando e (re)virando a minha dissertação: reflexões necessárias sobre a minha escrita 2025-11-03T22:32:22-03:00 Glauce Souza Santos glaucesouzasantos@yahoo.com.br <p>Este trabalho é tanto uma autorreflexão sobre as provocações suscitadas à minha escrita, pelas disciplinas <em>Metodologia da pesquisa </em>e<em> Historiografia e Crítica</em> - ambas do Programa de pós-graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) ? quanto um modo de ler criticamente a minha dissertação e de me encorajar a dizer “eu” na tese. É uma discussão da escrita ensaística, a partir da experiência no mestrado, no qual se abordou sobre a tendência de um discurso científico cada vez mais próximo da crítica literária, e a partir de textos sobre a escrita de si, estudados no doutorado. Nele, dialogo com a terceira tese de Boaventura de Sousa Santos, em <em>Um discurso sobre as ciências</em> (2010), sobre o paradigma emergente na ciência, de que <em>todo conhecimento é autoconhecimento</em>, e com conceitos de ensaio, presentes em <em>Sobre a forma e a essência do ensaio: carta a Leo Popper</em>, de Georg Lukács (2015) e <em>O ensaio como forma</em>, de Theodor W. Adorno (1986). Retomo as discussões de Barthes, das obras <em>S/Z</em> (1992), <em>Escrever a leitura</em> (2004) e <em>Da leitura</em> (2004). Comento o ensaio <em>Roupa, memória, dor</em> de Peter Stallybrass, para refletir sobre temas a partir de nossas experiências. Em síntese, reflito sobre fragilidades expressas na minha dissertação e sobre pontos positivos presentes nela, além de apontar como o <em>corpus</em> da pesquisa do doutoramento chega até mim pelas vias do afeto, narrando emoções e questões, que por me atravessarem, reivindica ainda mais que a minha escrita fuja da impessoalidade.</p> 2025-11-03T10:37:25-03:00 ##submission.copyrightStatement##