As tessituras de diálogo: África-diáspora na literatura das escritoras negras Noémia de Sousa, Ntozake Shange e Conceição Evaristo

  • Cátia Cristina Bocaiuva Maringolo Faculdade de Letras - Universidade Federal de Minas Gerais
  • Caio Ricardo Faiad da Silva Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Literatura de resistência, Literatura Afro-brasileira, Literatura Afro-americana, Literatura moçambicana

Resumo

A proliferação da produção literária e artística de mulheres negras é um fenômeno que ocorre em escala mundial. Estas mulheres negras, por meio da palavra poética, instauram uma literatura de resistência, um espaço quilombola frente às constantes opressões de gênero, de raça, de etnia e de classe. Escritoras negras como a moçambicana Noémia de Sousa, a estadunidense Ntozake Shange e a brasileira Conceição Evaristo, cada uma escrevendo, sobrevivendo e resistindo em países tão distantes, e ao mesmo tempo com características semelhantes. Para não cair no reducionismo analítico ou em estereotipias, o presente trabalho tem como objetivo apresentar um estudo comparativo dos diálogos África-Diáspora presente nas obras dessas escritoras. Em suma, é possível identificar que na obra de Noémia de Sousa o diálogo é realizado sincronicamente por meio das relações com a contemporaneidade da escritora, enquanto que em Ntozake Shange e Conceição Evaristo o diálogo é diacrônico ao relacionar o presente com o passado escravista de seus países de origem, no entanto, enquanto Shange passadifica o presente, Evaristo presentifica o passado. Dessa forma, as escritoras se posicionam criticamente e politicamente contra as diversas opressões ao criar em suas obras uma estética da resistência.

Biografia do Autor

Cátia Cristina Bocaiuva Maringolo, Faculdade de Letras - Universidade Federal de Minas Gerais
Cursando atualmente doutorado em Estudos Literários na UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte, com mestrado em Estudos Literários pela Unesp - campus de Araraquara com bolsa CNPq, e graduada em Bacharelado em Letras com habilitação de Tradutor, inglês e espanhol, pela Unesp\IBILCE, campus de São José do Rio Preto, tenho interesse nas àreas de Literatura, Gênero, Black Feminism, Literatura Afro-Brasilieira e Literatura Afro- americana. De 2013 a 2014 foi contemplada com uma bolsa Fulbright, atuando como Professora Assistente de Português na faculdade Oberlin, em Oberlin, Ohio.
Caio Ricardo Faiad da Silva, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo
Graduando Letras/Linguística (USP). Mestre em Química pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na área de concentração Química Orgânica, onde trabalhou com Ressonância Magnética Nuclear e Cálculos Teóricos. Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da EaD na Universidade Federal Fluminense (UFF) com monografia sobre o curso de formação a distância para professores. Bacharel em Química Ambiental pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) atuou no Ensino de Química e em estudos de interação de argilas e cátions orgânicos para a viabilidade da utilização desse sistema como adsorventes de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs).

Referências

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma única história. TEDGlobal. 2009. Disponível em: <https://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story?language=pt-br#t-147406. Acessado em: set. 2016.

ANDERLINI, Serena. Drama or Performance Art? An Interview with Ntozake Shange. Journal of Dramatic Theory and Criticism, vol. 6, n. 1, 1991. p. 85-97. Disponível em: https://journals.ku.edu/index.php/jdtc/article/viewFile/1820/1783. Acesso: 10 de outubro de 2016.

BALANDIER, Georges. A Noção de Situação Colonial. Cadernos de Campo, São Paulo, v. 3, n. 3, p. 107-131, 1993. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/50605>. Acesso em: 27 oct. 2016.

DE SOUSA, Noémia, Sangue Negro. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2001.

EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. 2ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.

________. Da grafia desenho de minha mãe: um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: ALEXANDRE, Marcos. Antônio. (org) Representações performáticas brasileiras: teorias, práticas e suas interfaces. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007, p.16-21.

________. Conceição Evaristo por Conceição Evaristo. In: I Colóquio de Escritoras Mineiras, Depoimento. 2009. Material digital. Disponível em: www.letras.ufmg.br/literafro/data1/autores/43/dadosatualizados3.pdf‎. Acesso: 13 de junho de 2012.

________. Conceição Evaristo. IN: DUARTE, Eduardo de Assis; FONSECA, Maria Nazareth Soares (org.). Literatura e Afrodescendência no Brasil: Antologia crítica. Vol. 4. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, p.103-116.

MENDES, Orlando. Portagem. São Paulo: Ática, 1981.

NOA, Francisco. Nóemia de Sousa: a metafísica do grito. In: DE SOUSA, Noémia, Sangue Negro. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 2001.

SHANGE, Ntozake. Sassafrass, Cypress & Indigo. New York: St. Martin’s Griffin. 2010.

REYES, Júlia. O feminismo negro de Ntozake Shange. 2013. 191 f. Dissertação — Universidade Federal de São João del-Rei, Programa de Mestrado em Letras: Teoria Literária e Crítica da Cultura. São João del Rei, 2013. Material digital. Disponível em: http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/mestletras/DISSERTACAO%20FINAL%20JULIA.pdf. Acesso: 10 de outubro de 2016.

WILLIAMS, Dana A. Contemporary African American women writers. In: MITCHELL, Angelyn. TAYLOR, Danielle K. (eds.). The Cambridge Companion to African American Women’s Literature. New York: Cambridge University Press, 2009, p.71-86.

Publicado
2017-10-02
Seção
Dossiê temático