O Ethos Construído e o Ethos Imputado: as estratégias para a construção da imagem de Humbert e Dolores em Lolita
Resumo
A argumentação é amplamente vislumbrada em diversos contextos discursivos, especialmente, no literário. Diante disso, este artigo propõe-se a defender essa interface através da análise de um corpus literário pelo viés da teoria da argumentação no discurso, como defendido por Ruth Amossy (2005; 2020), José Fiorin (2008), entre outros autores que respaldam essa intenção. O objeto escolhido foi Lolita (2011), de Vladimir Nabokov, que apresenta diversas estratégias argumentativas na construção do discurso do narrador-personagem, Humbert. Assim, objetiva-se analisar quais recursos são empregados por ele para sustentar tanto a sua construção de imagem quanto a representação imputada à sua vítima, Dolores. Consequentemente, foi possível atestar que os elementos aristotélicos, Ethos e logos, foram mobilizados por Humbert. O presente trabalho é resultado de uma pesquisa documental de caráter qualitativo que visa contribuir com os estudos da argumentação em interface com outros campos do saber, reiterando a relevância dos elementos retóricos para estudos atuais.
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