A ressignificação do valor identitário do negro nas capas do álbum Ladrão e História da minha área do rapper mineiro Djonga

Palavras-chave: Semiolinguística, Semiotização de mundo, Identidade negra, Rap

Resumo

O presente artigo propõe-se a investigar os mecanismos de construção identitária do negro nas capas dos álbuns Ladrão e Histórias da minha área do rapper Djonga, verificando como o processo de semiotização de mundo e os imaginários sociodiscursivos são mobilizados pelo artista na ressignificação do perfil do jovem negro, que funcionam também como uma contra-argumentação a discursos estereotipados acerca desse perfil e dos papéis do negro no Brasil. Parte-se da hipótese de que o mundo significado nas capas dialoga com o propósito do movimento Hip Hop, que questiona uma identidade negra pré-estabelecida. O percurso teórico metodológico tem como base a Semiolinguística, com os conceitos de sujeitos da linguagem, identidades, argumentação e imagem. Dada a multimodalidade do corpus, utilizaremos também a teoria dos signos de Pierce e estudos sobre cor (GUIMARÃES, 2000). Pretende-se, portanto, investigar, principalmente, os procedimentos de identificação e de qualificação do jovem negro, (re)construídos pelo artista.

Biografia do Autor

Ilana da Silva Rebello, Universidade Federal Fluminense

É graduada em Letras (2002- UFF), mestre (2005-UFF) e doutora (2009-UFF) em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Já atuou como professora de Língua Portuguesa na Prefeitura de São Gonçalo, na Prefeitura de Niterói, na Secretaria Estadual de Educação e na Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC). Atualmente é professora Associada 40h DE, de Língua Portuguesa do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal Fluminense. Está vinculada como professora permanente à linha de pesquisa Teorias do texto, do Discurso e da Tradução do Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal Fluminense, onde atua como docente e orientadora no mestrado e doutorado. Atua também no curso de especialização em Língua Portuguesa. É coordenadora do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Língua Portuguesa UFF (Quadriênio 2019-2022), vice-chefe do Setor de Língua Portuguesa da UFF (2020 - atual) e uma das coordenadoras dos Projetos de Extensão: PID - Projeto de Iniciação à Docência -Subprojeto: Semiolinguística e ensino: a sala de leitura como espaço de fruição e A Semiolinguística aplicada ao Ensino de Língua Materna. É membro do grupo de pesquisa em Semiolinguística - Leitura, fruição e ensino (GPS - LeiFEn/UFF/CNPq), do Círculo Interdisciplinar de Análise do Discurso (Ciad-Rio) e do Grupo de Trabalho de Linguística de Texto e Análise da Conversação da Anpoll. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: semiolinguística, mídia, leitura, interpretação e escrita.

 

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Publicado
2022-09-07
Como Citar
Coutinho, G., & Rebello, I. (2022). A ressignificação do valor identitário do negro nas capas do álbum Ladrão e História da minha área do rapper mineiro Djonga. Revista Eletrônica De Estudos Integrados Em Discurso E Argumentação, 22(2), 88-106. https://doi.org/10.47369/eidea-22-2-3450
Seção
Artigos