O primado da disposição: Dziga Vertov e a exaltação do homem soviético

Palavras-chave: Cinema, Retórica, Disposição, Montagem

Resumo

Este artigo objetiva analisar o importante trabalho cinematográfico executado pelo cineasta russo Dziga Vertov, com destaque para o fundamental documentário Um homem com uma câmera, produzido em 1929. Seu cinema está inserido em algo definido por Sergei Eisenstein como parti-pris – tomada de posição –, um tipo de produção fílmica que pensa por imagens (XAVIER, 2014), refutando a linearidade própria da decupagem clássica calcada em um tipo narrativo-representativo. Os principais eixos defendidos por Vertov são: Kino-Pravda (cinema verdade); Kino-Glaz (Cine-Olho), com a montagem sendo estruturada de forma dialética. Esse último ponto terá nossa atenção, considerando o sistema retórico e as quatro partes da retórica – invenção, disposição, elocução e ação (REBOUL, 2004). Partimos do princípio de que o cinema praticado pelo cineasta russo é sedimentado na disposição e na mobilização do gênero epidítico, materializado na exaltação dos valores soviéticos. Esses eixos serão contemplados em nossa discussão.

Biografia do Autor

Fábio Ávila Arcanjo, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brasil.

Referências

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Publicado
2021-12-31
Como Citar
Ávila Arcanjo, F. (2021). O primado da disposição: Dziga Vertov e a exaltação do homem soviético. Revista Eletrônica De Estudos Integrados Em Discurso E Argumentação, 21(3), 1 - 16. https://doi.org/10.47369/eidea-21-3-3141
Seção
Artigos