Ficção, história e escrita de resistência, em Dumba Nengue. Histórias trágicas do banditismo, de Lina Magaia

  • Alody Costa Cassemiro Universidade Estadual do Piauí - UESPI
  • Algemira de Macêdo Mendes Universidade Estadual do Piauí - UESPI
Palavras-chave: Narrativa. Violência. Guerra Civil. Moçambique.

Resumo

Resumo: Os espaços de Moçambique por muito tempo serviram de palco para o desenrolar de uma guerra civil que perdurou sobre a população moçambicana dois anos após a sua independência, de 1977 até 1992. Tal acontecimento serviu como tema para o desenvolvimento de muitas narrativas literárias, dentre elas a obra Dumba Nengue: Histórias trágicas do banditismo (1990), escrita pela moçambicana Lina Magaia. Percebe-se que em Dumba Nengue há uma relação entre História e ficção, estando os dois interligados por um elemento em comum, a narrativa. História e ficção se relacionam, nascendo desse exercício a ficção. Nesse sentido, este trabalho tem por objetivos: analisar como a referida obra representa a guerra civil moçambicana e evidenciar como a autora constrói, via texto narrativo, o quadro social moçambicano em contexto de guerra. Para isso, faz-se uso de aportes teóricos como: Bell Hooks (1981), Hutcheon (1991), White (1995), Costa Lima (2006), Leite (2014), dentre outros.  Com isso, vê-se que a guerra civil de Moçambique gerou ecos de violência que reverberam na população provavelmente até na atualidade.

 

Biografia do Autor

Alody Costa Cassemiro, Universidade Estadual do Piauí - UESPI

Aluna do Mestrado Acadêmico em Letras/UESPI.

Algemira de Macêdo Mendes, Universidade Estadual do Piauí - UESPI
Professora do Mestrado Acadêmico em Letras /UESPI/UEMA.

Referências

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Publicado
2018-12-18
Seção
Dossiê temático