Rir para ruir: o cômico e o grotesco no quarto proibido da casa assassinada

  • Frederico van Erven Cabala Universidade Federal Fluminense
Palavras-chave: Lúcio Cardoso, prosa, Crônica da casa assassinada, Timóteo, riso

Resumo

O presente trabalho se propõe a investigar a utilização do riso na prosa de Lúcio Cardoso. Criador de um universo ficcional de sombras e desespero, o escritor mineiro parece operar com a utilização do grotesco e do cômico para potencializar a própria densidade dos elementos dramáticos. Neste artigo, procederemos com uma leitura do personagem Timóteo, do romance Crônica da casa assassinada (1959), em paralelo às construções teóricas acerca do riso e do grotesco desenvolvidas por Henri Bergson, Pirandello, Freud e Wolfgang Kayser. Esperamos demonstrar, assim, de que forma o riso e o grotesco em Timóteo se impõem como um dispositivo corrosivo que visa desestabilizar uma ordem e uma moral vigentes no universo ficcional de Vila Velha, Minas Gerais.

Biografia do Autor

Frederico van Erven Cabala, Universidade Federal Fluminense
Estudante de mestrado em Estudos Literários pela Universidade Federal Fluminense

Referências

BERGSON, Henri. O riso. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1983.

CARDOSO, Lúcio. Crônica da casa assassinada. Edição crítica organizada por Mário Carelli. Madrid: ALLCA, 1997.

CARDOSO, Lúcio. Crônica da casa assassinada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2000.

FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Volume VIII.

KAYSER, Wolfgand. O grotesco. São Paulo: Perspectiva, 2003.

PIRANDELLO, Luigi. O humorismo. In: GUINSBURG, Jacó (org.).

Pirandello do teatro no teatro. São Paulo: Editora Perspectiva, 1999.

PEREIRA, Victor Hugo Adler. Nelson Rodrigues e a obscena contemporânea. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1999.

Publicado
2018-11-05