A construção discursiva da argumentação nas sociedades de controle: dizeres do discurso sobre a escolha do livro didático de inglês do PNLD 2011

Maria Dolores Wirts Braga

Resumo


Nosso objetivo é observar o modo como a argumentação é discursivisada hoje em nossa sociedade. Gilles Deleuze ([1990] 2008) admite que já vivemos numa sociedade de controle, que Foucault ([1979] 2004) reconheceu ser a sucessora da sociedade disciplinar. Segundo Deleuze, após a Segunda Guerra Mundial, com a crise dos meios de confinamento (prisão, fábrica, caserna, escola, hospital e família), as sociedades de controle começam a tomar o lugar das sociedades disciplinares. O controle, antes exercido pelo confinamento dos corpos, agora se estende aos espaços abertos. A sociedade de controle não age por imperativos, mas por modulações, como moldagens auto-deformantes (DELEUZE, [1990] 2008), realizadas em práticas discursivas e não discursivas. Analisamos, pois, dizeres do discurso sobre o livro didático de inglês do Programa Nacional do Livro Didático 2011, para percebermos o modo como a argumentação é construída discursivamente em nossa atualidade, contrastando esse discurso com os dizeres do Decreto-lei n. 8.460 de 26 de dezembro de 1945, que estabelece as condições de produção, importação e de utilização do livro didático no Brasil. Interessa-nos perceber os efeitos discursivos dos princípios moduladores - dizeres que funcionam como modulações, demandando intermináveis atualizações - que nossa sociedade, caracterizada como sociedade de controle, mobiliza e que, defendemos, circulam no discurso sobre o livro didático de inglês.

Palavras-chave


Argumentação. Discurso. Sociedade de controle. Livro didático de inglês.

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