A dicotomia razão e emoção na obra Por que os homens se casam com as mulheres poderosas? Uma breve análise do tratamento dado às emoções femininas

Allana Mátar de Figueiredo, Marcos Daniel do Amor Divino, Tatiana Affonso Ferreira

Resumo


Neste trabalho, partindo de uma análise argumentativa, buscamos abordar o tratamento das emoções femininas em obras de autoajuda destinadas a esse público. O corpus escolhido será o livro Por que os homens se casam com as mulheres poderosas?, de Sherry Argov. Em sua obra, a autora teria dado ênfase notória à questão das emoções (e ao controle destas) nas relações afetivas entre homem e mulher. Seu objetivo maior seria o de fornecer conhecimento, know-how, para que as mulheres consigam lidar com os relacionamentos e se coloquem em posição superior à masculina. O livro poderia ser visto como um guia para “orientar” as mulheres, sugerindo que essas adotem um comportamento dito “racional” e “controlado” para que os homens possam valorizá-las. Veremos também de que maneira essa obra de autoajuda (gênero frequentemente visto com receio pelo ambiente acadêmico) pode ser um corpus instigante para percebermos como as concepções cristalizadas acerca da dicotomia razão e emoção e do condenado papel da mulher – figura tipicamente “emotiva” e, por vezes, vista como “descontrolada” – aparecem e são reafirmadas nesse tipo de leitura. O que procurará se propor, neste artigo, por fim, é que razão e emoção não são parâmetros opostos e, muitos menos, excludentes, a partir da retomada de algumas perspectivas teóricas antropológicas, sociológicas (e, por que não, discursivas) que se relacionam a essa questão. Para esta análise, utilizaremos principalmente trabalhos que tocam a temática razão e emoção, de autores como Elster (1995), Plantin (2010), Lima (2006, 2007), Nussbaum (1995) e Le Breton (2009).

Palavras-chave


Emoção. Feminino. Argumentação. Autoajuda.

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