Brasil, Caribe e Estados Unidos em Diálogo: os circuitos intelectuais-ativistas de Lélia Gonzalez no Atlântico
Resumo
O pensamento de Lélia Gonzalez (1935-1994) se constituiu por meio de deslocamentos que possibilitaram interlocuções diretas com tradições intelectuais e políticas de diferentes regiões, especialmente da África, do Caribe, da América Latina e dos Estados Unidos. Neste artigo, parte-se da hipótese de que essas conexões no mundo Atlântico contribuíram para a ampliação dos horizontes de sua reflexão crítica. Nesse contexto, este artigo tem como objetivos: 1) realizar o levantamento e a análise dos diálogos intelectuais explicitados nas referências presentes em seus textos, que influenciaram a construção de seu pensamento, especialmente quando sua produção adquire um caráter internacional; e 2) contextualizar as redes internacionais de diálogo com intelectuais africanos, caribenhos, latino-americanos, caribenhos e estadunidenses, destacando como e sobre o quê tais referências influenciaram na formulação de sua teoria e militância. Considera-se que a análise da circulação das ideias em sua obra revela a importância de reconhecer Lélia Gonzalez como uma intelectual em movimento, cujas influências ultrapassaram as fronteiras nacionais, refletindo a dinâmica das redes internacionais que articularam a confluência entre sua trajetória acadêmica e militante. Para alcançar os objetivos propostos, a metodologia adotada centra-se em uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, buscando não apenas identificar as figuras intelectuais e ativistas, especialmente no campo da questão racial, com as quais Gonzalez estabeleceu diálogo, mas também compreender o contexto e os sentidos atribuídos a essas referências em sua trajetória intelectual e de militância.
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