Entre calundus e autos de fé: a resistência afrodiaspórica de Luzia Pinta frente à Inquisição na América Portuguesa Setecentista

Resumen

O artigo analisa o processo inquisitorial de Luzia Pin­ta, mulher negra, forra e calunduzeira acusada de feitiçaria em Minas Gerais. Com base na micro-história e na leitura dos autos, busca reconstruir sua trajetória e compreender formas afrodiaspóricas de resistência diante do Tribunal do Santo Ofício. Luzia alcançou prestígio social por meio de práticas de cura e adivinhação de matriz banto, mas foi denunciada, encarcerada, torturada, condenada e de­gredada por admitir e descrever seus calundus, recusan­do-se a confessar pacto demoníaco. Sua defesa, ancora­da em fé cristã imbricada à ancestralidade africana, revela estratégias discursivas que tensionam o modelo inquisi­torial e a colocam como protagonista de sua história. Ao tratar os autos não só como instrumentos de repressão, mas como espaços de agência, o estudo propõe leitura afrodiaspórica que valoriza vozes silenciadas, como a de Luzia, cujos “ventos de adivinhação” atravessam o Atlân­tico como testemunho de resistência negra.

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Biografía del autor/a

Juliana Maria de Almeida Carvalho, Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Brasil

Mestra em Educação pela UFSCar. Possui pós-graduação em África e suas Diásporas pela UNIFESP e especialização em Gestão e Formação de Professoras e Professores em Educação para as Relações Étnico-raciais: História e Cultura Africana e Afro-brasileira pela UFSCar. Licenciada em História pelo Centro Universitário Salesiano, diretora de escola e professora da rede pública com sólida experiência, formadora de professores, pesquisadora para produções culturais e conteudista na área de patrimônio cultural e Áfricas.

Adson Rodrigo Adson Pinheiro, Universidade Federal Fluminense, Brasil

Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e licenciado em História pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Atua como professor e pesquisador nas áreas de História do Brasil Colonial e História do Ceará colonial, com estudos voltados às dinâmicas sociais, familiares e religiosas nos sertões da América portuguesa, especialmente
a presença do Santo Ofício, mobilidade social, casamento e redes de poder no século XVIII. É autor de artigos e capítulos sobre Inquisição, sociedade colonial e formação histórica do Ceará, além de desenvolver pesquisas sobre patrimônio cultural, memória e educação patrimonial. Recebeu o Prêmio Luiz de Castro Faria, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

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Publicado
2026-06-12
Cómo citar
de Almeida Carvalho, J. M., & Adson Pinheiro, A. R. (2026). Entre calundus e autos de fé: a resistência afrodiaspórica de Luzia Pinta frente à Inquisição na América Portuguesa Setecentista. Especiaria: Cuadernos De Ciencias Humanas, 23(1). https://doi.org/10.36113/especiaria.v23i1.4923
Sección
Dossiê Atlântico e Diáspora Africana: um oceano para a história e o pensamento