Entre calundus e autos de fé: a resistência afrodiaspórica de Luzia Pinta frente à Inquisição na América Portuguesa Setecentista
Resumo
O artigo analisa o processo inquisitorial de Luzia Pinta, mulher negra, forra e calunduzeira acusada de feitiçaria em Minas Gerais. Com base na micro-história e na leitura dos autos, busca reconstruir sua trajetória e compreender formas afrodiaspóricas de resistência diante do Tribunal do Santo Ofício. Luzia alcançou prestígio social por meio de práticas de cura e adivinhação de matriz banto, mas foi denunciada, encarcerada, torturada, condenada e degredada por admitir e descrever seus calundus, recusando-se a confessar pacto demoníaco. Sua defesa, ancorada em fé cristã imbricada à ancestralidade africana, revela estratégias discursivas que tensionam o modelo inquisitorial e a colocam como protagonista de sua história. Ao tratar os autos não só como instrumentos de repressão, mas como espaços de agência, o estudo propõe leitura afrodiaspórica que valoriza vozes silenciadas, como a de Luzia, cujos “ventos de adivinhação” atravessam o Atlântico como testemunho de resistência negra.
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