Ecos no Atlântico Negro: a travessia banto e o apagamento na história da Umbanda
Resumo
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre os silenciamentos e apagamentos presentes na história da Umbanda, com foco em sua ancestralidade de matriz banto, frequentemente negligenciada pelas narrativas hegemônicas. A partir do mito fundador de 1908, protagonizado por Zélio Fernandino de Moraes, analisam-se os mecanismos de embranquecimento simbólico que estruturam a oficialização da religião. O objetivo é tensionar essa narrativa institucionalizada, resgatando contribuições afrodescendentes e práticas anteriores à institucionalização da Umbanda, como os rituais de Calundu. O referencial teórico articula os estudos de Bento (2022), Gonzalez (2020) e Sovik (2009) no campo da branquitude, com contribuições de autores que abordam as religiosidades afro-brasileiras: Silveira (2010), Dias (2024) e Luiz, Nunes e Antero (2025), e estudiosos das práticas religiosas dos bantos no Brasil, como Lopes (2023) e Alexandre (2023). A metodologia adotada é qualitativa, de caráter analítico e interpretativo. Como principal contribuição, o artigo busca ampliar a compreensão das dinâmicas raciais na história da Umbanda, reafirmando a importância de reconhecer e valorizar os saberes ancestrais invisibilizados pelas estruturas de poder racializadas.
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Referências
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