Nas tramas uterinas de Um defeito de cor (2006)

Palavras-chave: Um defeito de cor, Performance narrativa, Tradição oral negro-africana

Resumo

Neste artigo, considerando a leitura e a análise da obra Um defeito de cor, de autoria da escritora afro brasileira Ana Maria Gonçalves, aponto o gênero romance como um terreno fértil, fecundo de existências e/ou imaginários possíveis para o fazer literário de escritoras negras, ou melhor, uma “forma uterina”, como dirá Fernanda Miranda. No texto narrativo, pretendo ressaltar como negras velhas, com seu modo singular de contar, (re)fundam o universo, atribuem vida aos seres por meio de uma performance enunciativa que, na tradição oral africana, conjuga palavra, gestos, sons e ritmo (como demonstram Honorat Aguessy, Leda Martins e Muniz Sodré), e, na diáspora negra, se atualiza na ritualística e na textualidade literária cotidiana das “comunidades-terreiro” (como pontua Henrique Freitas), e de comunidades santeras (sugerido por Ileana Sanz e Rogelio Martínez Furé). A performance narrativa dessas sujeitas negras é ‘grafada’ pelo corpo, segundo Leda Martins, e nos enreda pelo encanto, segundo Eduardo Oliveira. (Re)Cria, “por ‘feitiço’, o mundo”, de acordo com Muniz Sodré.

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Biografia do Autor

Josenildes da Conceição Freitas, Universidade Federal da Bahia, Brasil

Docente no Setor de Espanhol do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura (PPgLitCult) da UFBA. Integrante do grupo de pesquisa Yorubantu: epistemologias iorubá e bantu nos estudos linguísticos e literários. 

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Publicado
2026-08-27
Como Citar
da Conceição Freitas, J. (2026). Nas tramas uterinas de Um defeito de cor (2006). Especiaria: Cadernos De Ciências Humanas, 23(1). https://doi.org/10.36113/especiaria.v23i1.4892
Seção
Dossiê Atlântico e Diáspora Africana: um oceano para a história e o pensamento