A retórica da pós-verdade: o problema das convicções

Palavras-chave: Pós-verdade. Convicção. Retórica. Fake news.

Resumo

Eleita “palavra do ano” de 2016 pelos Dicionários Oxford, a pós-verdade é o qualificativo das circunstâncias em que fatos objetivos são menos influentes na opinião pública que os apelos emocionais e as crenças pessoais. Assim posto, seria a pós-verdade não apenas um sinônimo de fake news, mas, sobretudo, de convicção (ANGENOT), vez que, falsas ou verdadeiras, as informações são divulgadas ou excluídas não pela sua veridicidade, mas pela sua adequação às crenças/valores de cada sujeito. Tal indisponibilidade à verificação se daria, em tese, por razão do tipo de racionalidade instrumental, pragmatista e utilitarista (BOUDON), que configura a cognição e a retórica dos sujeitos. Interessa a este artigo, portanto, não o funcionamento e a circulação dos discursos de pós-verdade, mas problematizar o tipo de racionalidade contemporânea como causa do fenômeno, a ponto de se tornar um conceito tão discutido nas Ciências Humanas e Sociais como um todo.

Biografia do Autor

Rodrigo Seixas, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutorando e mestre em Estudos Linguísticos pela UFMG. Graduado em Línguas Estrangeiras aplicadas às Negociações Internacionais e em Letras/Português. Estudioso da Retórica e argumentação política e do discurso social.

Publicado
2019-04-29
Seção
Artigos Inéditos