A construção da ponte Jorge Amado e a dinâmica socioespacial do bairro Cidade Nova em Ilhéus (BA):
reflexões preliminares sobre o espaço-tempo na cidade
Resumo
A construção de obras de engenharia de grande porte tende a modificar a organização socioespacial dos territórios. Em Ilhéus (BA), a ponte estaiada Jorge Amado configura-se como um vetor de reestruturação urbana. Um exemplo disso são as transformações em curso no bairro Cidade Nova, que, embora de função primordialmente residencial e historicamente associado às famílias da elite cacaueira, passa por mudanças significativas em suas dinâmicas materiais e simbólicas. Este artigo apresenta reflexões teórico-metodológicas preliminares para analisar as mudanças ocorridas no bairro ao longo do tempo, com ênfase especial no período posterior a 2022, ano de inauguração da referida ponte. Para tanto, parte-se de uma revisão bibliográfica fundamentada em autores como Maria Geralda de Almeida (2004), Aníbal Quijano (2005), Milton Santos (2002, 2006, 2008), Claude Raffestin (2004), Marcelo Lopes de Souza (2020), Paul Thompson (1998) e Rogério Haesbaert (2004), com o intuito de articular conceitos-chave como paisagem, território, lugar, colonialidade do poder e disputas socioespaciais. Metodologicamente, propõe-se uma abordagem qualitativa baseada na análise documental, observação de campo e história oral. Conclui-se que a ponte deve ser interpretada como um elemento ao mesmo tempo material, simbólico e político, capaz de reorganizar territorialidades, alterar as percepções da paisagem e atualizar hierarquias sociais no espaço urbano.
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