FRUIÇÃO E PERMANÊNCIA EM CENTROS HISTÓRICOS TOMBADOS:
UM OLHAR SOBRE PARATY/RJ
Resumo
Paraty (RJ) tornou-se, ao longo das últimas décadas, um caso exemplar das ambiguidades da preservação: patrimônio celebrado, mas cidade vivida sob pressões turísticas intensas. Neste artigo, discutimos como a patrimonialização do Centro Histórico – tombado pelo IPHAN e, desde 2019, inscrito na lista do Patrimônio Mundial – convive com barreiras menos visíveis: preços em alta, reconfiguração de usos do solo e afastamento de práticas culturais locais do circuito central. A análise combina revisão crítica (Bourdieu, Fanon, Hall, Said, Canclini) com um levantamento de campo realizado entre julho e setembro de 2023 (57 questionários com visitantes e observação direta em diferentes horários e dias). Os dados mostram um público majoritariamente de alta renda, pouca interação com comunidades caiçaras, quilombolas e guarani e avaliações positivas do conjunto arquitetônico, mas com dúvidas sobre “autenticidade” e pertencimento. Em vez de propor dicotomias fáceis, o texto sustenta que ampliar o acesso passa por ajustar a gestão: integrar turismo e vida cotidiana, reconhecer o papel das comunidades na produção de valor cultural e apoiar experiências de turismo de base comunitária.
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