Diké - Revista Jurídica https://periodicos.uesc.br/index.php/dike <div align="justify">A Diké é a Revista do Curso de Direito da Universidade Estadual de Santa Cruz -UESC. É um periódico semestral, interdisciplinar e plural&nbsp; que publica artigos inéditos, traduções de artigos já publicados, resenhas críticas, comentários sobre leis, projetos de lei ou decisões judiciais e conferências, de qualquer subárea do Direito, desde que permeados por um dos eixos temáticos anunciados nas chamadas públicas, que estabeleçam interface com os estudos da Justiça,&nbsp;Cidadania, Democracia e dos Direitos Fundamentais.</div> Editus - Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz- UESC pt-BR Diké - Revista Jurídica 1517-509X <p align="justify">Os autores que publicam nesta revista mantém os direitos autorais sobre os trabalhos publicados e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" rel="license">Creative Commons Attribution 4.0 International License</a>&nbsp;que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista. Os Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</p> <p align="justify">Os autores declaram que este artigo é original, de autoria própria, que nunca foi foi publicado em qualquer outro veículo, em português ou outro idioma, no formato impresso ou eletrônico (incluindo páginas da Internet, grupos de discussão ou outros modelos de boletim eletrônico), e não está em avaliação em outro veículo ou casa editorial.</p> <p align="justify">Declaram, ainda, que este artigo não contém violação a direito autoral ou qualquer outro direito de terceiro, tampouco possui material de natureza ilegal e exoneram a &nbsp;REVISTA JURÍDICA DIKÉ DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ E SUA EDITORA EDITUS em face de quaisquer&nbsp; reclamações e despesas (incluindo custos e despesas legais) causadas por qualquer ruptura desta e de outras garantias.</p> <p align="justify">Autorizam a REVISTA JURÍDICA DIKÉ DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ E SUA EDITORA EDITUS a proceder a modificações e correções para a adequação do texto às normas da publicação e informam que leram e estão cientes destes termos e das diretrizes para os autores.</p> Editorial https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4969 <p>A Revista Jurídica Diké, vinculada ao Curso de Direito da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC (eISSN 2595-1742), apresenta o número 29, do volume 24 (2025.2), com o título: Temas contemporâneos em direitos fundamentais: &nbsp;democracia, acesso à justiça e proteção de grupos vulnerabilizados.</p> <p>Em um cenário global e nacional marcado por tensões políticas, recrudescimento de discursos de ódio, desigualdades profundas, racismo estrutural, e desafios institucionais à efetividade dos direitos humanos, as reflexões jurídicas sobre a democracia, a inclusão, a igualdade e a cultura da paz assumem papel central. A democracia, mais do que um modelo formal de organização do poder, revela-se como prática cotidiana de reconhecimento da dignidade humana, de respeito à diversidade e de fortalecimento das instituições comprometidas com a justiça social.</p> Clodoaldo Silva da Anunciação Fernanda Viana Lima ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-30 2025-12-30 24 29 1 1 10.36113/dike.29.2025.4969 Convenção interamericana contra o racismo: uma análise sobre seu impacto na ordem constitucional e no sistema de justiça e segurança pública brasileiros https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4721 <p>O movimento constitucional brasileiro mais recente, materializado pela Carta de 1988 – inscrito no horizonte constitucional pluralista de Fajardo (2011) como multicultural –, criminalizou o racismo e introduziu garantias que posteriormente se materializaram em políticas de promoção da igualdade racial. No entanto, apesar dessas medidas, persistem profundas desigualdades raciais no Brasil, com a população negra ainda enfrentando barreiras estruturais significativas. A incorporação ao constitucionalismo brasileiro – cumprindo o rito de emenda constitucional –, da Convenção Interamericana contra o Racismo, em 2022, representa uma nova oportunidade para reforçar o combate ao racismo no país. Preocupa-nos como problema de pesquisa examinar em que medida o <em>standard </em>de garantias estabelecido pela Convenção tem o potencial de atualizar e aperfeiçoar junto ao direito brasileiro, noções consagradas internacionalmente para o combate ao racismo, compreender como superar as limitações impostas pela disputa de sentidos e usos da Convenção perante o racismo institucionalizado do Sistema de Justiça brasileiro. Para tanto, o presente trabalho, amparado metodologicamente numa abordagem qualitativa de análise documental da Convenção Interamericana contra o Racismo em cotejo com o microssistema jurídico brasileiro para a igualdade racial, tem como objetivo responder a esses problemas de pesquisa, evidenciando e problematizando avanços e paralisias para a promoção da igualdade racial articulados na ordem constitucional brasileira.</p> <p><strong>&nbsp;</strong></p> Maria do Carmo Rebouças ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-28 2025-12-28 24 29 2 22 10.36113/dike.29.2025.4721 Compatibilidade da devolução de valores nos próprios autos com os princípios do contraditório e devido processo legal no âmbito trabalhista https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4907 <p>Este estudo busca analisar a compatibilidade da devolução de valores pagos a maior nos próprios autos de execução trabalhista com os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, confrontando o Tema 74 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que proíbe essa prática, exigindo ação autônoma. A pesquisa questiona se tal proibição compromete a economia processual e a razoável duração do processo, propondo que a devolução nos autos, com garantia de defesa, é mais eficaz e alinhada à instrumentalidade do processo. O estudo utiliza o Tema 692 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que permite a restituição de valores em benefícios previdenciários nos próprios autos, como analogia para o âmbito trabalhista, desde que preservado o contraditório. A análise destaca que a proibição do TST pode gerar multiplicidade de processos, contrariando a eficiência judicial. Conclui-se que a devolução nos autos é compatível com os princípios constitucionais, desde que assegurada a participação das partes, contribuindo para uma justiça trabalhista mais racional e equânime, sem prejuízo das garantias processuais fundamentais.</p> Luiz Pereira de Castro Filho Juliana Seara Niella Geovânia Silva de Sousa Harrison Ferreira Leite ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-28 2025-12-28 24 29 23 36 10.36113/dike.29.2025.4907 Fundos municipais de direitos da criança e adolescente: a importância do fomento à participação cidadã https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4900 <p>A efetivação dos direitos da criança e do adolescente, preconizada pelo artigo 227 da Constituição Federal, enfrenta o desafio crônico da ausência de disponibilidade orçamentária suficiente para o custeio de políticas públicas estruturantes, especialmente em âmbito municipal. Este artigo investiga o papel estratégico dos Fundos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA), como alternativa para mitigar as dificuldades orçamentárias referidas. A partir de uma revisão bibliográfica e documental, analisa-se o mecanismo legal que permitiu, a partir da lei 12.594/2012, a destinação de parte do imposto de renda devido à União, pelos contribuintes, para os FMDCA, no ato da declaração do tributo. Argumenta-se que a arquitetura normativa desta política transcende a função arrecadatória, estabelecendo um duplo papel estratégico: por um lado, empodera o cidadão, tornando-o protagonista no custeio de ações em sua comunidade; por outro, atua como um mecanismo indutor da ação estatal, compelindo as gestões municipais a se estruturarem para viabilizar o recebimento dos recursos, donde surge a importância da atuação proativa dos municípios na criação dos Fundos e adoção de medidas fomentadoras do capital social necessário à exploração do desempenho arrecadatório existente. Conclui-se, ao final, que os FMDCA se consolidam como instrumentos catalisadores da governança local, articulando a participação cidadã à necessária ação do ente público para a superação do <em>gap</em> entre o marco legal protetivo da população infantojuvenil e a implementação dos direitos decorrentes, em que pese ser ainda tímida a exploração da política pública de incentivo fiscal instituída pela lei 12.594/2012.</p> George Andrade Nascimento Leonardo Rodrigues Porto Gustavo Joaquim Lisboa ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-28 2025-12-28 24 29 37 67 10.36113/dike.29.2025.4900 Assédio moral e transfóbico: configurações e efeitos nas relações de trabalho no Brasil contemporâneo. https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4724 <p>Este estudo examina a manifestação do assédio moral transfóbico nos ambientes laborais brasileiros e os efeitos que ele provoca na saúde mental, no desempenho e na trajetória profissional de indivíduos trans e travestis. A investigação combina análise documental, incluindo legislações, convenções e diretrizes de conformidade, com uma abordagem quantitativa baseada em micro dados da PNAD Contínua (de 2021 a 2024), além de entrevistas semiestruturadas conduzidas com trabalhadores/as trans, gestores/as de recursos humanos e representantes sindicais. À luz da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (implementada em 2024) e das recentes orientações governamentais para o combate ao assédio, o trabalho articula um mapeamento das “configurações” — compreendendo formas, atores e contextos nos quais a violência se manifesta — bem como dos “efeitos” — nas dimensões psicossociais, econômicas e organizacionais. Além disso, apresenta recomendações voltadas para estratégias de prevenção, monitoramento e reparação.</p> Saula Rebeca Dantas da Veiga Angeline da Silva Francisco Meton Marques de Lima ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-28 2025-12-28 24 29 68 87 10.36113/dike.29.2025.4724 A natureza jurídica da cid-11 qd85 (síndrome do esgotamento – burnout) e seus efeitos https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4959 <p>A CID da OMS, passou pela 11ª revisão que, em 1º de janeiro de 2022, entrou em vigor globalmente para os Estados-Partes que a integram, coordenando questões de saúde mundialmente. O Brasil, integrante da OMS, adotou a CID-11, atualmente em estado de implementação interna. &nbsp;Instrumento indispensável de atuação adequada para profissionais de saúde, essencial para políticas públicas sanitárias, emerge a questão da sua normatividade. Qual é a sua natureza jurídica e quais são os efeitos disso, global e internamente? O texto desvelou a natureza jurídica da CID-11, considerando-se sua origem na Constituição da OMS e o regime jurídico constitucional brasileiro de incorporação de documentos internacionais. Ainda, quais são os efeitos jurídicos imediatos disso para o Brasil, notadamente no que atine à Síndrome do Esgotamento, <em>Burnout</em>, CID-11 QD85, haja vista que a compreensão da sua etiologia mudou significativamente. O método científico adotado foi o da revisão narrativa e crítica da literatura científica e dos documentos normativos internacionais e nacionais sobre o tema. A CID-11 é um Regulamento de Nomenclaturas equivalente a um tratado internacional de direitos humanos, observados os artigos 18 e 27 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. No Brasil, deve ser observada, no mínimo, como norma jurídica supralegal. Trata-se de uma exegese que, desvinculada de uma lógica hierarquizante das normas jurídicas e equalizadora da soberania nacional e da cooperação internacional, pautada no diálogo harmônico entre fontes externa e interna de direitos humanos fundamentais, prestigia sua proteção possível, isto é, sua máxima efetividade. Assim, etiologicamente o <em>Burnout</em> é ocupacional.</p> Ricardo Maurício Freire Soares Danilo de Oliveira Guilherme Schmidt Hayama ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-29 2025-12-29 24 29 88 109 10.36113/dike.29.2025.4959 A Autorresponsabilidade e a compreensão do normativa do comportamento da vítima na teoria do delito https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4940 <p>Este estudo tem como <em>tema</em> a autonomia e o direito penal. O <em>objeto </em>da pesquisa é a valoração do comportamento da vítima na dogmática jurídico-penal. O artigo, nesse sentido, tem como <em>objetivo </em>apresentar criticamente os institutos normativos que compreendem o comportamento do ator lesado no curso do perigo como conteúdo capaz de orientar o recuo da proteção penal. O que se pretende é analisar a colocação dogmática do comportamento da vítima na teoria do delito, especificamente por meio da dogmática penal no nível do injusto. O estudo se <em>justifica</em> pela atualidade, bem como pela necessidade da construção do saber jurídico por político-criminalmente adequado e dogmaticamente ajustado às situações de exposição voluntária do portador do bem ao perigo. O artigo adota o <em>método</em> dedutivo, e se vale do nível de pesquisa explicativo e exploratório no processo de identificação dos instrumentos normativos que influenciam o sistema penal como instrumento de valoração do comportamento da vítima na teoria do delito.</p> Lucas Gabriel Santos Costa Alamiro Velludo Salvador Netto ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-29 2025-12-29 24 29 110 127 10.36113/dike.29.2025.4940 Litigância abusiva e a necessária formação de grupo de trabalho multissetorial: o papel do ministério público na defesa da sociedade e na preservação do acesso à justiça https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4941 <p>O presente artigo analisa a litigância abusiva praticada por litigantes habituais, sobretudo relacionada ao descumprimento massivo de direitos e subdimensionamento deliberado de estruturas próprias destinadas à solução extrajudicial, além de resistência sistemática às portas consensuais. Esta perspectiva do fenômeno da litigância abusiva é negligenciada ou mesmo silenciada do debate sobre o tema. Trata-se de situações que configuram abuso de direito processual, criando perdas relevantes à sociedade, em suas dimensões individual e coletiva, além de sobrecarga para o Poder Judiciário, mediante a transferência indevida de custos operacionais que deveriam ser suportados pelas próprias entidades geradoras de conflitos. O enfrentamento adequado do fenômeno pressupõe a criação de um grupo de trabalho temático permanente, com a presença de diversos atores integrantes do sistema de justiça, com vistas a reunir perspectivas distintas e produzir diagnóstico robusto sobre o fenômeno da litigância abusiva, contribuindo decisivamente para formulação de políticas públicas que equilibrem adequadamente a necessidade de desestímulo a comportamentos efetivamente abusivos. Nesse cenário, o Ministério Público, dotado de legitimação constitucional para a defesa do regime democrático, bem como dos direitos transindividuais, posiciona-se como agente natural para contribuir ativamente na criação do grupo de trabalho e proposição de instrumentos adequados para seu enfrentamento.</p> André Sigiliano Paradela Bruno de Sá Barcelos Cavaco ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-29 2025-12-29 24 29 128 156 10.36113/dike.29.2025.4941 Os desafios à inclusão de pessoas com deficiência nas carreiras públicas: inserção via cotas e barreiras estruturais https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4709 <p>&nbsp;O estudo tematiza as políticas e práticas de inclusão equitativa de pessoas com deficiência (PCD) no serviço público brasileiro, em profissões acessadas via concurso público. O objetivo é conhecer o panorama da literatura científica nacional a respeito da inclusão de PCD no serviço público do país. Com método de revisão integrativa de literatura, as buscas por palavras-chave foram realizadas na Capes Periódicos. A partir dos critérios de inclusão e de exclusão, foram selecionados onze estudos para análise qualitativa de conteúdo, os quais foram categorizados em três eixos temáticos. Os principais resultados do estudo indicam que a legislação brasileira avançou na garantia formal de maior inserção de PCD nas carreiras públicas, por meio da reserva de vagas e das suas implicações materiais ou concretas. Por outro lado, essa maior inserção não resulta, automaticamente, em inclusão. A inclusão pressupõe equidade e pertencimento da PCD na carreira. Logo, requer a eliminação de desafios multidimensionais e interdependentes, sobretudo as barreiras atitudinais, arquitetônicas, institucionais, tecnológicas e comunicacionais, além de maior capacitação anticapacitista no interior das instituições. A superação dos desafios à inclusão PCD demanda uma mudança cultural e organizacional, com compromisso coletivo do Estado, das instituições públicas e da sociedade.</p> <p>&nbsp;</p> Leilane Serratine Grubba Marina Dos Santos Luciano Pissolatto Cristian Menino de Oliveira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-29 2025-12-29 24 29 157 177 10.36113/dike.29.2025.4709 Teletrabajo transfronterizo y protección de datos personales https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4935 <p>O teletrabalho transfronteiriço consolidou-se como uma tendência global, impulsionado pela digitalização, pela pandemia da COVID-19 e pela procura de flexibilidade laboral. Embora traga benefícios em termos de produtividade, diversidade e inovação, também coloca desafios jurídicos complexos, especialmente no que diz respeito à proteção de dados pessoais. O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) da UE tem um âmbito extraterritorial que obriga mesmo as empresas não europeias a cumprir os seus requisitos quando tratam dados de residentes na UE. Isto afeta diretamente as organizações com funcionários ou clientes distribuídos globalmente. Para legitimar as transferências internacionais de dados, o RGPD prevê mecanismos como decisões de adequação, cláusulas contratuais-tipo ou normas corporativas vinculativas. No entanto, a aplicação do RGPD pode ser limitada em países que não garantem um nível adequado de proteção, como a China ou a Rússia. Assim, as empresas multinacionais devem implementar programas de conformidade regulamentar sólidos e flexíveis, com auditorias, formação contínua e políticas de segurança claras. O trabalho sublinha a necessidade de uma abordagem colaborativa entre reguladores, empresas e operadores jurídicos para garantir um equilíbrio entre inovação, proteção da privacidade e operacionalidade global.</p> Alfonso Ortega Giménez ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-29 2025-12-29 24 29 178 209 10.36113/dike.29.2025.4935 Justiça multiportas (4.0): características, elementos e pontos de alavancagem do sistema https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4958 <p>O artigo analisa a justiça multiportas brasileira como um sistema voltado ao tratamento adequado dos problemas jurídicos, estruturado por múltiplas portas de acesso à justiça, modos de solução e conexões interinstitucionais. Partindo da superação do modelo jurisdicional centrado na heterocomposição judicial, identificam-se as principais características do sistema (flexibilidade, adequação e deferência), seus elementos constitutivos (portas, modos e sujeitos) e seus pontos de alavancagem, com destaque para a auto-organização e a abertura sistêmica, os negócios atípicos sobre o processo de solução de problemas jurídicos e os mecanismos de integração, articulação e livre trânsito de técnicas e entre portas. Por fim, observa-se que a justiça multiportas opera, na atualidade, em um formato 4.0, marcado pela transformação digital, interoperabilidade, inovação institucional e reconfiguração do papel do Poder Judiciário no sistema de justiça, exigindo a renovação do repertório dogmático do Direito Processual.</p> Anissara Toscan ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-29 2025-12-29 24 29 210 236 10.36113/dike.29.2025.4958 A fundada suspeita nas abordagens policiais: uma abordagem racializada https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4934 <p>O presente trabalho analisa o conceito de "fundada suspeita" no âmbito da busca pessoal sem mandado judicial (art. 244 do Código de Processo Penal), compreendendo-o como um mecanismo de seletividade e perpetuação do racismo institucional no sistema de justiça criminal brasileiro. Partindo de um viés crítico de perspectiva racializada, o estudo reflete sobre como a vagueza de uma norma processual penal legitima práticas discriminatórias. O objetivo central, portanto, é demonstrar que a subjetividade inerente a este conceito não pode ser interpretada como neutra, mas sim como um vetor de vulnerabilização de corpos racializados. A metodologia utilizada é de abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e, de forma complementar, em análise jurisprudencial, com foco nas recentes mudanças de entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre a temática. A investigação parte da construção histórica do "indivíduo suspeito" em um contexto pós-abolição, marcado não apenas pela ausência de políticas de inclusão para o povo negro liberto, mas também pela criação de estereótipos que se refletem, na prática, na forma como as agências de segurança pública e a magistratura encaram jovens negros e periféricos. Em seguida, analisa-se o instituto da busca pessoal e seus requisitos autorizadores, bem como sua instrumentalização pela política de "guerra às drogas", de caráter essencialmente seletivo. Conclui-se destacando o papel fundamental e ambivalente do Poder Judiciário, que oscila entre a contenção de abusos, por meio de decisões garantistas, e a validação de abordagens discriminatórias, evidenciando a tensão permanente entre a norma, a prática policial e os direitos fundamentais</p> Misael Neto Bispo da França Iana Caroline Bahia da Cruz Ferreira ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-30 2025-12-30 24 29 237 275 10.36113/dike.29.2025.4934 Busca pessoal e fundada suspeita: os limites da atuação policial preventiva https://periodicos.uesc.br/index.php/dike/article/view/4944 <p>Este trabalho tem como objeto o procedimento de busca pessoal sem mandado judicial. O objetivo é analisar criticamente os limites normativos/permissividade jurídica da busca pessoal sem mandado judicial no policiamento preventivo, destacando a necessidade de parâmetros racionais para sua justificação e realização. Com base no artigo 244 do Código de Processo Penal e em decisões do STF e STJ, abre-se o horizonte de expectativa para compreender a atuação policial mediada por uma fundada suspeita concreta. O estudo, nesse sentido, aponta inconsistências (no plano da racionalidade jurídica) nos instrumentos normativos e, consequentemente, na formação da Polícia Militar. O estudo artigo adota o <em>método</em> dedutivo, e se vale do nível de pesquisa explicativo e exploratório para propor o aprimoramento das diretrizes e da formação jurídica para conciliar segurança pública e direitos fundamentais.</p> Lucas Gabriel Santos Costa Katiana Amorim Teixeira André Gabriel Alves Santos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-12-30 2025-12-30 24 29 276 297 10.36113/dike.29.2025.4944