Chamada vol. 9 n. 1

A literatura brasileira começou a se regionalizar na segunda metade do século XIX, no contexto de um conjunto de representações que procuravam construir um sentimento de unidade à nação recém tornada independente. Em razão de essas primeiras representações não contemplarem as especificidades dos diferentes espaços brasileiros e emanarem do "centro" da nação, intelectuais dos diversos recantos do país passaram a se manifestar para dar mais "veracidade" e maior visibilidade às suas províncias, colocando-se, muitas vezes, em atitude de confronto e assumindo as suas regiões como "pátrias". O movimento, com algumas flutuações, manteve-se ao longo do século XX e, de alguma forma, ainda se faz presente. Entretanto, uma grande parte das manifestações literárias que, posteriormente, a crítica considerou "regionalistas", não assumiu o mesmo tom de combate ao "centro" e de defesa de particularidades geográficas, linguísticas e culturais. O regionalismo, de acordo com a qualidade dos textos, ainda  é classificado em diferentes tipos/níveis pelos estudiosos, resultando, em suma, que qualquer texto ambientado no espaço rural e afastado dos grandes centros urbanos é considerado regionalista. Nesse sentido, a presente chamada objetiva reunir textos que problematizem de forma inovadora o regionalismo e a literatura regional, revisando leituras anteriores e avançando na discussão teórica e crítica. Afinal, nem todo texto literário em que as regionalidades estão evidentes é regionalista. A temática do dossiê contribui com as comemorações dos 100 anos de nascimento Jorge Medauar (1918-2018), escritor sul baiano, cuja obra traz um olhar de ruptura e inflexão sobre o mundo ficcional dessa região.