Chamada vol. 7 n. 2

A partir dos anos 1960-70, nas correntes de pensamento marcadas pelo signo do “pós”,  destacam-se as reflexões em torno da teoria da tradução que provocam rupturas com tendências estruturalistas, sobretudo as de herança positivista. Tais reflexões põem em xeque a crença de um sujeito neutro em relação às suas manifestações linguísticas, comprovando que o tradutor não pode impedir que seu contato com o texto seja contaminado pelas contingências de sua leitura. A tradução perturba, assim, o ideal de transparência e imparcialidade na língua, abalando o paradigma tradicional de representação como fidelidade. Nesse cenário, o campo da tradução cruza-se com todos os movimentos que de alguma forma se articulam com a ideia de agenciamento, de ideologia, de ética e de política, em seus sentidos amplos. Este número da revista Litterata propõe fomentar a reflexão acerca das incorporações do sujeito e de sua leitura no processo de tradução, seja na perspectiva teórico-crítica, seja o da formação de tradutores e de seus agenciamentos políticos.